Enfrentando crises interligadas

Da restauração de manguezais no México à substituição de usinas movidas a óleo por energia renovável no Egito; do transporte público elétrico na Indonésia à recuperação socialmente justa de áreas mineradas na África do Sul — essas iniciativas refletem a diversidade e complexidade dos desafios que a comunidade internacional precisa superar para alcançar os objetivos globais de clima e biodiversidade até 2050.

Desde 2008, o governo da Alemanha vem apoiando países parceiros do Sul Global na promoção de políticas climáticas ambiciosas e soluções eficazes por meio da Iniciativa Internacional para o Clima (IKI).

Nossa força: integrar clima e biodiversidade

A crise climática e a perda de biodiversidade são mega desafios interligados. Por isso, a IKI parte de uma abordagem que considera as sinergias entre mitigação, adaptação e conservação da natureza, promovendo respostas integradas e transformadoras.

A iniciativa organiza seu apoio em quatro áreas principais de financiamento:

Muitos projetos da IKI têm natureza transversal, combinando várias dessas áreas em uma mesma proposta. Isso permite que a iniciativa gere impactos de longo prazo, alinhados às metas globais e às prioridades nacionais dos países parceiros.

Direcionamento estratégico até 2030

A partir de 2024, a IKI passou a concentrar seus esforços em campos de ação ainda mais específicos, com o objetivo de maximizar o impacto global da cooperação internacional em clima e biodiversidade. A nova estratégia reforça o foco em países prioritários — nações que, ao mesmo tempo, concentram altas emissões de gases de efeito estufa e riqueza em biodiversidade, ampliando o potencial de transformação sustentável.

As quatro áreas de financiamento da IKI continuam sendo o eixo central de sua atuação, mas com escopos mais definidos. A mitigação das emissões de gases de efeito estufa ganha ênfase no apoio ao desenvolvimento de estratégias de longo prazo e Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), na transição energética, na descarbonização da indústria e na mobilidade sustentável. Já a adaptação às mudanças do clima prioriza planos nacionais de adaptação (NAPs), abordagens baseadas em ecossistemas e o fortalecimento da resiliência e da segurança de comunidades e territórios vulneráveis.

Outro campo-chave de atuação são os sumidouros naturais de carbono, com ações voltadas à proteção de florestas e turfeiras, restauração de paisagens degradadas e soluções baseadas na natureza. Por fim, a conservação da biodiversidade concentra-se na implementação de planos de ação nacionais (NBSAPs), com destaque para os direitos e o protagonismo de Povos Indígenas e Comunidades Locais (IPLCs), além da proteção de habitats e da redução da perda da diversidade biológica.

Essas quatro áreas estão interligadas por um compromisso transversal com a resiliência climática e com a transformação socioecológica em escala global. Para reforçar esse caminho, a estratégia da IKI até 2030 também incorpora alianças internacionais prioritárias, como o Climate Club, as Parcerias Justas para a Transição Energética (JETP), a NDC Partnership e a NBSAP Accelerator Partnership.

Coordenação e parceiros

No âmbito do governo federal alemão, a Iniciativa Internacional para o Clima (IKI) está ancorada no Ministério Federal do Meio Ambiente, Proteção Climática, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear (BMUKN). Em coordenação com o BMUKN, projetos individuais também podem ser comissionados e implementados pelo Ministério Federal das Relações Externas (AA).

As atividades da IKI são conduzidas em estreita consulta com o Ministério Federal da Cooperação Econômica e do Desenvolvimento (BMZ) e estão alinhadas à Estratégia de Política Externa Climática do governo da Alemanha.

A IKI baseia-se em uma cooperação próxima com os governos dos países parceiros e em uma estrutura diversificada de implementação para conduzir os aproximadamente 400 projetos atualmente em andamento. Em outras palavras, a diversidade das organizações responsáveis pelos projetos reflete a complexidade e pluralidade das demandas climáticas e ambientais abordadas.

A empresa pública federal Zukunft – Umwelt – Gesellschaft (ZUG) gGmbH atua como agência de gestão da IKI, oferecendo suporte técnico, gerenciando o programa e realizando o monitoramento e a avaliação dos projetos apoiados.

A IKI no Brasil

Desde 2008, o Brasil é um dos países prioritários da Iniciativa Internacional para o Clima (IKI). Com uma das maiores biodiversidades do planeta e um papel estratégico na agenda climática global, o país reúne condições únicas para a implementação de soluções com alto impacto ambiental, econômico e social.

Ao longo de mais de uma década de cooperação, a IKI já destinou mais de 235 milhões de euros ao Brasil por meio de projetos bilaterais, regionais e globais. Somente em iniciativas bilaterais, foram mais de 51 milhões de euros aplicados até agora — com mais 63,7 milhões de euros previstos em novos apoios, via edital nacional (country call). Os recursos são direcionados às quatro áreas de financiamento da IKI: mitigação das mudanças climáticas, adaptação aos seus efeitos, conservação da biodiversidade e proteção dos sumidouros naturais de carbono, com foco especial em florestas tropicais.

Atualmente, estão em curso 47 projetos IKI com atuação no Brasil, sendo 14 bilaterais e 33 regionais ou globais, desenvolvidos em parceria com uma ampla rede de instituições locais, internacionais e governos subnacionais. Os temas prioritários incluem descarbonização industrial, adaptação climática e conservação florestal.

A implementação da IKI no Brasil envolve uma articulação com diversos ministérios parceiros, como:

Entre as organizações implementadoras e parceiras técnicas estão instituições como AFD, CIFOR, CPI, German Caritas Association, GIZ, IDB, IIASA, IUCN, KfW, UNDP, UNEP, UNU-EHS, World Bank Group, WRI Brazil, WWF, entre outras. A atuação integrada e multissetorial da IKI no Brasil é fortalecida por um projeto de interface nacional, o PoMuC II – Programa Políticas sobre Mudança do Clima, responsável por conectar iniciativas, ampliar a visibilidade dos resultados e promover sinergias entre projetos, ministérios e sociedade civil.