Quebradeiras de coco-babaçu | Foto: Peter Caton/Acervo ISPN

A Iniciativa Internacional para o Clima (IKI), do Governo Federal da Alemanha, apoia uma nova iniciativa voltada à proteção da biodiversidade e ao enfrentamento do desmatamento no Brasil. O projeto Redes pela Conservação reúne organizações da sociedade civil, comunidades locais, instituições de pesquisa e governos para fortalecer estratégias de conservação nos biomas Cerrado, Caatinga, Pantanal, Mata Atlântica e Pampa.

Financiado pela IKI, por meio do Ministério Federal do Meio Ambiente, Ação Climática, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear da Alemanha (BMUKN), o projeto é implementado pela Cáritas Alemanha, Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), Rede Cerrado e Rede Ecovida, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).

Sítio Água Branca, Araripina (PE) |Foto: Adriana Noya/Acervo ASA

A iniciativa contribuirá para a implementação dos Planos de Prevenção e Controle do Desmatamento e Queimadas (PPCDs) e para as metas brasileiras de redução das emissões de gases de efeito estufa e de desmatamento zero até 2030. Ao longo de sua execução, a expectativa é beneficiar cerca de 25 mil famílias e 100 micro, pequenas e médias empresas, com atenção especial ao protagonismo das mulheres.

Cooperação internacional para enfrentar um desafio comum

O lançamento do projeto ocorre em um contexto em que o Brasil ainda enfrenta grandes desafios para conter a perda de vegetação nativa. Embora o país tenha reduzido o desmatamento em mais de 20% em 2025, o Cerrado permaneceu como o bioma mais desmatado pelo terceiro ano consecutivo, evidenciando a necessidade de ampliar esforços de conservação para além da Amazônia.

Integrantes da Aldeia Nhu Porã realizam o plantio de mudas e a recuperação de uma área afetada por espécies invasoras, em Torres (RS). | Foto: Tiago Meirelles/Acervo Centro Ecológico

Nesse cenário, o Redes pela Conservação aposta na articulação entre diferentes atores como estratégia para ampliar o alcance das ações de proteção ambiental. A iniciativa conecta governos, organizações da sociedade civil, comunidades tradicionais, instituições de pesquisa e parceiros da cooperação internacional para fortalecer políticas públicas e promover soluções de longo prazo para a conservação da biodiversidade.

Conservação aliada ao desenvolvimento sustentável

Além da proteção dos ecossistemas, o projeto investe no fortalecimento de cadeias produtivas da sociobiodiversidade, demonstrando que conservar os biomas também pode gerar renda e oportunidades para as populações que vivem nesses territórios.

Lucely Pio, vice-coordenadora da Rede Cerrado | Foto: Kamikiá Kisêdjê/Acervo Rede Cerrado

A proposta inclui apoio à estruturação de agroindústrias familiares e comunitárias, fortalecimento da gestão de empreendimentos locais e incentivo à comercialização de produtos da sociobiodiversidade, valorizando conhecimentos tradicionais e promovendo o uso sustentável dos recursos naturais.

Outro eixo estratégico é o reconhecimento do papel desempenhado por povos indígenas, comunidades tradicionais, quilombolas e agricultores familiares na proteção dos biomas brasileiros. O projeto apoiará iniciativas de gestão territorial, recuperação ambiental e fortalecimento da governança local em diferentes regiões do país.

Inovação para ampliar impactos

O Redes pela Conservação também investirá no desenvolvimento de instrumentos financeiros e jurídicos inovadores voltados à conservação da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos, além de promover espaços de diálogo entre governos, organizações e comunidades para fortalecer a participação social e aprimorar políticas públicas.

Encontro e Feira dos Povos em Brasília (DF) |Foto: Valdir Dias/Acervo Rede Cerrado

As ações estão organizadas em quatro frentes principais: fortalecimento das cadeias da sociobiodiversidade, desenvolvimento de mecanismos financeiros para conservação, ampliação e qualificação da gestão de áreas protegidas e fortalecimento dos marcos políticos e institucionais relacionados à biodiversidade.

Entre os resultados esperados estão o fortalecimento de 27 cadeias produtivas da sociobiodiversidade, a melhoria da gestão, criação ou reconhecimento de 205 áreas protegidas e a implementação de novos instrumentos de incentivo à conservação.

Ao apoiar iniciativas como o Redes pela Conservação, a IKI reforça seu compromisso com a proteção da biodiversidade, a ação climática e o desenvolvimento sustentável, promovendo soluções que conciliam conservação ambiental, fortalecimento das comunidades locais e implementação de políticas públicas capazes de gerar impactos duradouros para o Brasil.