
Um novo estudo apoiado pelo Projeto ProAdapta reforça a urgência de ampliar as ações de adaptação às mudanças climáticas no Brasil. Lançada em 17 de junho, Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca, a pesquisa aponta que aproximadamente 120 mil mortes estiveram associadas às ondas de calor no país entre 2000 e 2019, evidenciando os impactos cada vez mais severos do aquecimento global sobre a saúde da população.
Intitulado Saúde e ondas de calor no Brasil: evidências sobre mortalidade, morbidade hospitalar e implicações para o SUS, o estudo foi desenvolvido por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal da Bahia (UFBA), sob coordenação técnica dos projetos Ciência&Clima e ProAdapta. O objetivo é gerar evidências científicas que apoiem governos e gestores públicos na formulação de políticas e estratégias para enfrentar os riscos do calor extremo.
Os resultados mostram que a maioria dos municípios brasileiros registrou aumento na frequência e intensidade das ondas de calor ao longo das últimas duas décadas. Além das mortes associadas ao calor extremo, o estudo identificou aumento das internações por doenças respiratórias, renais e metabólicas, com impactos especialmente significativos entre crianças, idosos, mulheres e populações socialmente mais vulneráveis.

Para o Projeto ProAdapta, os dados reforçam a necessidade de incorporar a adaptação climática às políticas públicas de saúde, planejamento urbano e gestão ambiental. O estudo demonstra que os efeitos das mudanças climáticas já afetam diretamente a qualidade de vida e a saúde da população brasileira, exigindo respostas coordenadas e baseadas em evidências.
O ProAdapta é uma iniciativa de cooperação entre o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) do Brasil e o Ministério Federal do Meio Ambiente, Ação Climática, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear (BMUKN) da Alemanha, realizada no âmbito da Iniciativa Internacional para o Clima (IKI). O projeto é implementado pela Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH e tem como missão fortalecer a capacidade de adaptação do Brasil diante dos impactos das mudanças climáticas.
Ao apoiar pesquisas como esta, o ProAdapta contribui para transformar conhecimento científico em instrumentos concretos de planejamento e gestão pública. As evidências produzidas permitem identificar grupos mais vulneráveis, antecipar riscos e orientar investimentos em medidas preventivas, como sistemas de alerta precoce, arborização urbana, infraestrutura verde e fortalecimento dos serviços de saúde.
O estudo também destaca que os impactos das ondas de calor não são distribuídos de forma homogênea pelo território nacional. Enquanto as regiões Norte e Centro-Oeste registraram eventos mais frequentes e duradouros, as maiores intensidades foram observadas nas regiões Sul e Sudeste. Essas diferenças reforçam a importância de estratégias de adaptação adequadas às realidades locais.
A publicação representa mais um resultado da cooperação internacional promovida pela IKI, que apoia iniciativas voltadas à adaptação climática, conservação da biodiversidade e desenvolvimento sustentável em diversos países. No Brasil, o conhecimento gerado pelo ProAdapta tem contribuído para fortalecer a capacidade dos governos federal, estaduais e municipais de proteger a população diante de um clima cada vez mais quente e extremo.