Por meio de participação, inovação e comunicação, o projeto interface da International Climate Initiative (IKI) no Brasil ajuda a transformar os compromissos climáticos do país de papel em prática.
Quando o Brasil abrir suas portas ao mundo na COP30 em Belém, grande parte da base que permitirá ao país apresentar políticas climáticas ambiciosas e credíveis terá sido construída com o apoio do Programa Políticas sobre Mudança do Clima II (PoMuC II) — o principal projeto de interface da IKI no Brasil.
O PoMuC II tornou-se um parceiro essencial para os atores da governança climática brasileira, garantindo que os compromissos climáticos avancem da teoria para a implementação, reunindo ministérios, estados, municípios, sociedade civil — incluindo juventudes e representantes indígenas — e o setor privado em uma única conversa sobre o futuro do país.
Planejamento inclusivo para o Plano de Clima do Brasil 2024–2035
Ao longo do último ano, esse papel tornou-se ainda mais visível. O projeto apoiou o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e o Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM) no desenvolvimento do novo Plano de Clima 2024–2035, o mais abrangente marco de planejamento da história climática do Brasil. Em julho de 2025, sete planos setoriais de mitigação foram abertos para consulta pública, cobrindo:
- energia
- agricultura
- transporte
- cidades
- indústria
- mineração
- resíduos
Por meio de sua expertise técnica e capacidade de facilitação, o PoMuC II ajudou a transformar o processo em um exercício participativo e inclusivo, alinhado à Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do Brasil. Lideranças indígenas, organizações de mulheres e movimentos de juventude sentaram-se à mesma mesa que ministérios federais e governadores, trazendo a justiça climática para o centro do processo de formulação de políticas.

Esse espírito de co-criação também é evidente nos Diálogos Federativos sobre o Plano de Clima, em que mais de 200 representantes de estados e municípios trocaram práticas e discutiram como a ação subnacional pode reforçar metas nacionais.
Ao apoiar a ABEMA, associação que reúne órgãos ambientais estaduais, o PoMuC II permitiu que compromissos estaduais se integrassem a um caminho nacional coerente. O resultado são políticas melhores no papel — e maior apropriação por parte daqueles que irão implementá-las na prática.
Apoio ao principal instrumento nacional de financiamento climático
Contudo, políticas precisam de recursos — e aqui também o PoMuC II faz diferença. Trabalhando ao lado do MMA, o projeto apoia o desenvolvimento de uma nova metodologia para o Fundo Clima, principal instrumento nacional de financiamento da ação climática.
A abordagem fortalece a governança, melhora a transparência na alocação de recursos e cria critérios mais claros para a seleção de projetos e modelos de investimento.
Acelerando a inovação para a Amazônia

Ao mesmo tempo, o PoMuC II está abrindo novos espaços para inovação. Um exemplo importante é o Climate Innovation Hub, co-criado pelo PoMuC II em parceria com o Impact Hub e o Catal1.5°T, com o objetivo de acelerar negócios climáticos no Brasil, com foco especial na Amazônia. O programa apoia startups que desenvolvem tecnologias na área de:
- cadeias da bioeconomia sustentável
- monitoramento florestal digital
- soluções de impacto climático
As iniciativas recebem suporte para aprimorar modelos de negócio, conectar-se a investidores de impacto e se posicionar nacional e internacionalmente.
Comunicação como ferramenta estratégica
Uma das marcas mais fortes do PoMuC II tem sido seu esforço para transformar a forma como a ação climática é comunicada e compreendida no Brasil. Em vez de tratar comunicação como algo acessório, o programa a utiliza como uma ferramenta estratégica para colocar diferentes atores no centro da narrativa climática. Sob essa perspectiva:
- jovens não são apenas público-alvo — são contadores de histórias de suas próprias realidades;
- lideranças indígenas, organizações de mulheres e comunidades locais não são apenas consultadas — são coprodutoras da forma como as políticas climáticas são apresentadas à sociedade;
- parceiros políticos, como o MMA, recorrem ao PoMuC II para estruturar a estratégia de comunicação do novo Plano de Clima do Brasil.
O impacto já é evidente. Um guia de bolso sobre comunicação climática, criado pelo projeto, ultrapassou seu público inicial, tornando-se referência entre jornalistas e organizações da sociedade civil — e recebendo reconhecimento formal de parceiros governamentais.

Conectando a comunidade IKI no Brasil
O PoMuC II também cumpre uma função singular como Interface da IKI no país.
Além de apoiar políticas, seu papel é conectar os muitos atores e projetos que compõem o portfólio da IKI no Brasil, criar espaços de troca e consolidar conhecimentos relevantes para profissionais da agenda climática.
Assim, os esforços climáticos no Brasil não aparecem como ações isoladas, mas como parte de um conjunto integrado e coerente de iniciativas.
Essa função de conexão assume diversas formas:
- o Encontro IKI Brasil, realizado anualmente, tornou-se espaço de referência para conectar projetos, ministérios e sociedade civil;
- o novo site da IKI Brasil, em desenvolvimento, servirá como hub permanente para compartilhamento de conhecimento e visibilidade;
- encontros regulares com outros projetos interface da região garantem que a experiência brasileira se conecte e se fortaleça através do aprendizado regional;
- a revista IKI Conecta, é uma iniciativa conjunta das interfaces da IKI nos países da região.
Leia o artigo original (EN) em:Shaping Brazil’s path to COP30 and beyond | Internationale Klimaschutzinitiative (IKI)