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Uma ponte regional estratégica para conectar soluções climáticas

Com um portfólio de mais de 50 projetos em 22 países, a Interface busca aproximar iniciativas que atuam em contextos nacionais distintos, mas compartilham objetivos relacionados à ação climática, à proteção da biodiversidade e ao desenvolvimento sustentável.

Uma ponte regional estratégica para conectar soluções climáticas
Painéis fotovoltaicos em Guanacaste. Foto: © GIZ/Andrés Domian Astorga
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Criada no início de 2021, a Interface Regional da IKI localizada na Costa Rica é responsável para os projetos da IKI na América Central e no Caribe. Essa Interface da IKI é implementada pela Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) tem como principal missão conectar projetos da Iniciativa Internacional para o Clima (IKI) implementados pela região, promovendo conhecimento, intercâmbio e colaboração.

Na Costa Rica, seu principal parceiro político é o Ministério do Meio Ambiente e Energia (MINAE). A articulação envolve também instituições como o Ministério da Fazenda, a Autoridad Reguladora de los Servicios Públicos (ARESEP) e o Instituto Costarricense de Electricidad (ICE). No âmbito regional, a Interface busca fortalecer a cooperação com organismos como o Sistema da Integração Centro-Americana (SICA).

Mais do que acompanhar individualmente os projetos, a Interface atua como uma ponte entre implementadores, instituições e a própria IKI, criando oportunidades para que experiências sejam compartilhadas e novas colaborações sejam estabelecidas. A estratégia também procura aumentar a visibilidade da IKI na região, comunicando resultados e impactos de seu vasto portfólio.

Conectar uma região diversa

Um dos principais resultados dessa estratégia são os cinco workshops anuais de intercâmbio realizados desde 2021, que costumam reunir centenas de participantes para discutir experiências, compartilhar conhecimentos e ampliar redes de contato. A atividade integra os indicadores da Interface e se tornou um dos principais espaços de articulação regional.

A dimensão territorial, entretanto, impõe desafios. Os projetos estão distribuídos por 22 países, e as grandes distâncias dificultam a participação presencial, sobretudo para iniciativas com recursos financeiros limitados. A convivência entre países de língua espanhola e inglesa também cria barreiras linguísticas. Além disso, cada país apresenta necessidades, prioridades e capacidades institucionais próprias, tornando nem sempre possível comparar diretamente as experiências.

A resposta da Interface tem sido apostar na inclusão. As atividades são realizadas de forma bilíngue, com serviços de tradução, e projetos de diferentes portes, inclusive os apoiados pelo IKI Small Grants, são convidados a participar. Os workshops também passaram a oferecer um segundo dia para que os próprios projetos organizem atividades paralelas de acordo com seus interesses e conhecimentos.

A Interface também desenvolveu uma estratégia de gestão do conhecimento que já resultou em mais de 50 produtos, abordando temas como políticas climáticas e ambientais, financiamento, adaptação, mitigação, conservação e restauração.

Na América Central, uma família inicia jornada de trabalho em cafezal. Foto: © ICAFE Costa Rica

A comunicação busca aproximar conteúdos técnicos de diferentes públicos. Um exemplo são os materiais produzidos no contexto das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) para populações de territórios indígenas. As informações foram traduzidas para quatro línguas faladas nesses territórios, permitindo uma comunicação mais efetiva e adequada às diferentes realidades culturais.

Outra frente é o uso de ferramentas digitais. O podcast The Countdown to 2050 (https://open.spotify.com/show/1xnz8VZNimEp9RKyLwloJ8), produzido em formato bilíngue, apresenta iniciativas relacionadas ao clima, ao meio ambiente e à biodiversidade e amplia a visibilidade dos projetos apoiados pela IKI. A experiência demonstrou o potencial da tecnologia para superar distâncias geográficas e disseminar conhecimento regionalmente, abordagem esta que pode ser replicada por outras Interfaces.

O trabalho da Interface também produz efeitos concretos na participação de grupos que nem sempre encontram espaço nos processos institucionais. Um exemplo desenvolvido na Costa Rica ocorreu em parceria com o SINAC (Sistema Nacional de Áreas de Conservação) e envolveu mulheres que trabalham como guardas-parques.

Apesar de seu papel na conservação da biodiversidade, essas profissionais identificaram necessidades relacionadas à equidade e à igualdade de oportunidades que não estavam suficientemente contempladas. A Interface contribuiu para fortalecer sua representação junto ao Ministério do Meio Ambiente e ao Instituto Nacional da Mulher (INAMU) da Costa Rica, criando oportunidades de diálogo e capacitação.

O caso demonstra como o papel da Interface vai além da disseminação de informações: ao conectar pessoas, instituições e políticas, ela pode ajudar a transformar experiências locais em processos de diálogo e mudança institucional.

Conectar, traduzir e amplificar

“A Interface Regional IKI na Costa Rica para América Central e Caribe apresenta uma característica singular na região: é, até o momento, a única Interface com atuação regional, o que exige mecanismos próprios para integrar países, idiomas, instituições e projetos com diferentes capacidades.” disse Johannes Kissel, o diretor do programa.

Sua experiência mostra que a diversidade pode ser transformada em uma vantagem quando existem espaços estruturados de intercâmbio. Tradução, atividades bilíngues, apoio a projetos com menor capacidade financeira e abertura para que os próprios participantes compartilhem seus conhecimentos são estratégias que ajudam a construir uma rede mais inclusiva.

Projeto ACCIÓN Clima com juventudes organizadas na Costa Rica. Foto: ACCIÓN Clima

Para a próxima fase, a expectativa é ampliar o alcance regional, mesmo diante de uma redução prevista do portfólio de projetos, e aprofundar a colaboração com o SICA. A intenção é consolidar e compartilhar as experiências acumuladas ao longo dos últimos anos.

Nesse sentido, o legado da Interface pode ser sintetizado em três movimentos: conectar, traduzir e amplificar. Conectar projetos e instituições dispersos por uma região extensa; traduzir a agenda climática global para diferentes públicos e realidades; e amplificar conhecimentos e experiências capazes de contribuir para políticas e soluções de clima e biodiversidade.

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