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Uma rede de projetos que conecta conhecimento e ação climática

Prioritário para a iniciativa desde 2008, o Brasil reúne atualmente 44 projetos da IKI, implementados por 20 organizações, em parceria com 10 ministérios brasileiros.

Uma rede de projetos que conecta conhecimento e ação climática
Linha do tempo da Interface IKI no Brasil. Foto: GIZ Brasil
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Um país de dimensões continentais, marcado pela diversidade de biomas, territórios e realidades institucionais. É neste contexto que atua a Interface IKI Brasil, criada em 2017 por meio do Ministério Federal do Meio Ambiente, Ação Climática, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear da Alemanha (BMUKN), e implementada pela Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) para fortalecer a articulação entre os projetos da Iniciativa Internacional para o Clima (IKI) com governos, organizações da sociedade civil, instituições de pesquisa e parceiros internacionais.

Prioritário para a iniciativa desde 2008, o Brasil reúne atualmente 44 projetos da IKI, implementados por 20 organizações, em parceria com 10 ministérios brasileiros, totalizando 245 milhões de euros em investimentos.

A Interface se consolidou então como uma plataforma de conexão, aprendizagem e gestão do conhecimento, aproximando os projetos da IKI no Brasil e criando condições para que experiências, conhecimentos e soluções circulem entre diferentes iniciativas. Em 2024, esse trabalho ganhou uma nova etapa com o lançamento do Programa Políticas sobre Mudança do Clima II (PoMuC II), que dá continuidade à atuação da Interface IKI.

“O principal objetivo da Interface IKI Brasil é fortalecer a comunidade da IKI no país, promovendo a colaboração entre projetos, organizações implementadoras, governos brasileiro e alemão e demais parceiros estratégicos”, explica Carolina Coelho, assessora de comunicação da IKI no Brasil. 

A atuação da IKI Brasil parte de uma constatação simples: projetos que trabalham com temas semelhantes, ainda que em territórios ou escalas diferentes, podem produzir resultados maiores quando compartilham experiências e aprendizados. “O objetivo é construir uma comunidade de prática capaz de fortalecer o aprendizado coletivo e gerar soluções mais integradas para os desafios climáticos e da biodiversidade” destaca Carolina Coelho.

Essa vocação ganhou uma expressão concreta no 9º Encontro Anual da IKI Brasil, realizado em Brasília, em maio de 2026. Com o tema “Cooperação em rede: implementar em rede é transformar cooperação em impacto”, o encontro aprofundou a estratégia de integração do portfólio brasileiro, estimulando a construção de narrativas comuns, a aprendizagem coletiva e novas formas de articulação entre projetos. 

Para Andreas Kübler, chefe de Divisão no BMUKN, essa trajetória demonstra a força da cooperação entre os dois países. “A Alemanha está orgulhosa de contribuir para a preservação dos ecossistemas brasileiros. A natureza não precisa dos humanos, mas os humanos precisam da natureza.”, em pronunciamento durante o encontro. 

Um dos principais resultados foi a criação de cinco Comunidades de Prática (CoPs), dedicadas a temas estratégicos: cooperação e desenvolvimento de negócios com o setor privado; gênero e PIQCTs (povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais); comunicação para o clima e a biodiversidade; uso de inteligência artificial em projetos IKI e governança multinível. A expectativa é que, ao longo dos próximos meses, os grupos consolidem suas agendas e apresentem os primeiros resultados no 10º Encontro IKI Brasil, em 2027.

Comunidade de Prática Uso de Inteligência Artificial. Foto: GIZ Brasil

A articulação em rede foi a tônica no Encontro Anual de 2026, quando os projetos IKI tiveram contato com o Plano Clima, instrumento coordenado pelo governo federal brasileiro que reúne as metas e ações que orientarão as políticas brasileiras de mitigação e adaptação às mudanças do clima até 2035 e que serve de base para a atualização da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do país.

A apresentação do Plano Clima, conduzida pelas diretoras Marcela Aboim, Inamara Melo e Lidiane Melo, da Secretaria Nacional de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), permitiu aproximar os projetos internacionais das prioridades nacionais e identificar possíveis pontos de entrada para cooperação.

Apresentação do Plano Clima. Foto: GIZ Brasil

Por meio do PoMuC II, a Interface IKI mantém diálogo próximo com ministérios e instituições governamentais, contribuindo para processos estratégicos relacionados à implementação de políticas climáticas, ao fortalecimento de capacidades institucionais e à preparação do país para marcos internacionais.

Traduzir o global para o território

Se a articulação entre projetos e governo é uma frente estratégica, a comunicação passa a ser outro eixo fundamental da Interface IKI. A estratégia combina newsletters, plataformas digitais, redes sociais, vídeos, campanhas, eventos e conteúdos editoriais. Esta revista IKI Conecta, a IKI News Brasil e o site da IKI Brasil são exemplos de canais criados para ampliar a visibilidade dos projetos e compartilhar conhecimentos produzidos pela carteira.

“O objetivo é mostrar que as metas internacionais se concretizam por meio de iniciativas locais que geram benefícios reais para pessoas, comunidades e ecossistemas”, explica Carolina Coelho.

Entre as iniciativas desenvolvidas nesse campo estão a Cartilha do Plano Clima 2024 - 2035, que traduz informações técnicas do principal instrumento da política climática brasileira para uma linguagem acessível, e o Guia de Comunicação Climática, concebido para aproximar a agenda global da realidade brasileira.

Um dos resultados mais emblemáticos desse esforço de integração é o Manifesto IKI Brasil, construído coletivamente com representantes dos projetos, parceiros e instituições que compõem a rede IKI no Brasil. Elaborado a partir de entrevistas e de uma oficina de cocriação realizada durante o 9º Encontro IKI Brasil, o documento reúne valores, princípios e contribuições compartilhadas pela comunidade IKI no país. 

“Criar espaços permanentes de diálogo, promover confiança entre parceiros e investir em comunicação estratégica fortalece muito mais os resultados do que ações isoladas”, afirma a assessora de comunicação. Para ela, compartilhar experiências entre projetos pode gerar inovação, evitar a duplicação de esforços e ampliar o impacto coletivo das iniciativas apoiadas pela IKI.

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