A cooperação em rede ganhou novo impulso no Brasil com o 9º Encontro da Iniciativa Internacional para o Clima (IKI), que reuniu em Brasília organizações implementadoras e parceiros políticos para dois dias dedicados ao fortalecimento da cooperação climática e à construção de soluções conjuntas.
Com o tema “Cooperação em rede: implementar em rede é transformar cooperação em impacto”, o encontro deste ano marcou um avanço na estratégia de integração do portfólio da IKI no país, com foco em narrativas comuns, aprendizagem coletiva e novas formas de articulação entre projetos.

Narrativa comum e criação de comunidades de prática entre projetos marcam o primeiro dia
O dia 19 de maio foi dedicado aos implementadores da IKI e teve início com uma mesa de abertura voltada ao fortalecimento da cooperação entre os projetos no Brasil. A programação contou com a palestra de boas-vindas de Andreas Kübler, chefe de Divisão do Ministério Federal do Meio Ambiente, Proteção Climática, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear da Alemanha (BMUKN), além de atualizações sobre a Iniciativa Internacional para o Clima apresentadas por Simon Wolffram, assessor sênior de políticas do BMUKN.

Na sequência, os participantes avançaram para a criação das Comunidades de Prática (CoPs), uma das principais inovações desta edição. Inspiradas em experiências internacionais da IKI, as CoPs foram apresentadas como espaços permanentes de troca e colaboração entre projetos com temas em comum. Durante a atividade, Stefan Wollschied, da Zukunft – Umwelt – Gesellschaft (ZUG) gGmbH, apresentou a experiência da Comunidade de Prática de Gênero da IKI (GCoP), criada em 2024 para apoiar organizações implementadoras na promoção da justiça de gênero em seus projetos, como exemplo do potencial de articulação e aprendizado coletivo dessas redes.
As CoPs foram apresentadas como espaços permanentes de colaboração técnica entre projetos com interesses comuns. Foram estruturados grupos temáticos iniciais, com definição de focos de trabalho, objetivos e pontos focais. Entre os temas debatidos, destacaram-se governança climática multinível, comunicação climática, engajamento do setor privado, justiça de gênero, inteligência artificial aplicada ao clima e biodiversidade.

Em seguida, o encontro foi dedicado a um workshop de construção de narrativa coletiva, com foco em fortalecer a comunicação do portfólio da IKI como uma atuação integrada no Brasil. A atividade avançou na elaboração de um “manifesto da IKI Brasil”, pensado como um documento de posicionamento comum entre os projetos, destacando princípios compartilhados, cooperação e impacto coletivo. “A IKI nasceu da compreensão de que o planeta não conhece fronteiras: os desafios atravessam territórios e os caminhos de proteção climática só podem ser enfrentados por respostas coletivas”, estimula um dos trechos do manifesto.
O dia foi encerrado com a síntese dos grupos e um coquetel de networking oferecido pela Embaixada da Alemanha, fortalecendo a articulação entre implementadores e parceiros institucionais.
Plano Clima e diálogo político orientam o segundo dia
O dia 20 de maio foi dedicado ao diálogo com parceiros políticos e à integração entre projetos da IKI e a agenda climática nacional brasileira. A mesa de abertura contou com Andreas Kübler, chefe de Divisão do Ministério Federal do Meio Ambiente, Proteção Climática, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear da Alemanha (BMUKN); Christian Schulz, ministro para Assuntos Econômicos e Temas Globais da Embaixada da Alemanha; e Aloísio Lopes Pereira de Melo, secretário da Secretaria Nacional de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).

Um dos momentos centrais da programação foi a apresentação do Plano Clima, instrumento estruturante da política climática brasileira e base para a atualização da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC). A sessão teve como objetivo aproximar os projetos IKI das estratégias nacionais, apresentando eixos de ação e abrindo espaço para diálogo com representantes do governo brasileiro, a partir da apresentação do Plano Clima pelas diretoras da Secretaria Nacional de Mudança do Clima Marcela Aboim, Inamara Melo e Lidiane Melo, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).

Embora a programação tenha incluído um momento estruturado de perguntas e debate interativo, o foco da sessão esteve na apresentação institucional do Plano Clima e na identificação de possíveis pontos de entrada para cooperação entre projetos internacionais e políticas públicas nacionais, reforçando a importância de sinergias entre diferentes níveis de governança climática.
Comunidades de Prática entram em fase de implementação
Um dos principais resultados do encontro foi o início da implementação das Comunidades de Prática da IKI no Brasil. A iniciativa busca fortalecer o intercâmbio contínuo entre projetos, estimulando cooperação técnica, compartilhamento de aprendizados e desenvolvimento de soluções conjuntas.

Cada comunidade definiu um ponto focal e estabeleceu, de forma preliminar, metodologias de trabalho e objetivos iniciais. Também foram criados grupos de comunicação para facilitar a articulação entre organizações. Nos próximos meses, as CoPs realizarão encontros regulares para consolidar suas agendas e acompanhar resultados. A expectativa é que, em 2027, durante o 10º Encontro IKI no Brasil, os grupos apresentem os primeiros impactos concretos de sua atuação.
As comunidades contam ainda com um guia de acompanhamento que orienta sua implementação, reforçando a importância da criação de redes de confiança, da cocriação de soluções e da geração de conhecimento compartilhado.
Um portfólio mais integrado para ampliar impacto climático
Com a participação de 17 organizações implementadoras e oito ministérios brasileiros, a Iniciativa Internacional para o Clima (IKI) vem fortalecendo sua atuação no país como uma importante plataforma de cooperação internacional para o enfrentamento das mudanças climáticas.
O Brasil é um dos países prioritários da iniciativa desde 2008. Ao longo dos últimos 18 anos, a IKI apoiou projetos voltados à mitigação e adaptação climática, preservação da biodiversidade, financiamento climático e fortalecimento de capacidades. Atualmente, o portfólio da IKI no país reúne 44 projetos e soma investimentos de 245 milhões de euros.

“A Alemanha está orgulhosa de contribuir para a preservação dos ecossistemas brasileiros. A natureza não precisa dos humanos, mas os humanos precisam da natureza. Com a IKI, podemos olhar para os 18 anos de cooperação de sucesso com o Brasil e podemos dizer que essa cooperação cresceu. Os projetos da IKI são exemplos de cooperação entre Brasil e Alemanha para lutar contra as mudanças climáticas e proteger a biodiversidade”, destaca Andreas Kübler, chefe de Divisão no Ministério Federal do Meio Ambiente, Proteção Climática, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear (BMUKN).
O 9º Encontro consolida um movimento estratégico da IKI no Brasil: fortalecer a atuação em rede como forma de ampliar impacto, integrar narrativas e aproximar ainda mais a cooperação internacional das políticas públicas nacionais.
Novo site IKI Brasil e Interface IKI
O Encontro Anual da Iniciativa Internacional para o Clima (IKI) no Brasil é realizado pelo Programa de Políticas sobre Mudança do Clima – PoMuC II, implementado em parceria com a Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ). O programa representa a interface da IKI no Brasil e apoia no fortalecimento da articulação entre os projetos da IKI no país, promovendo trocas de conhecimento e aproximando governo, sociedade civil, setor privado e comunidades em torno da agenda climática.
Como parte desse trabalho, o PoMuC II também coordenou o lançamento do novo site da IKI Brasil, apresentado durante o encontro. A plataforma reúne informações sobre os principais projetos apoiados pela iniciativa no país e, futuramente, também deve acompanhar as ações e resultados das Comunidades de Prática criadas nesta edição do evento.